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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Lidar com gatos


 
Há tanto tempo que lido com gatos, já é uma coisa tão inata em mim observar, interpretar o corpo e a expressão deles e consequentemente saber como lidar com eles que ás vezes acho erradamente que todos sabem lidar com eles.

Não saber lidar com gatos é algo bastante comum em pessoas que lidam mais com cães e não com gatos.

Sem querer ofender ninguém acho que há pessoas-cão e pessoas-gato e conforme o seu tipo assim lidam com o cão e o gato. Eu sou uma pessoa-gato e quer com cães ou gatos, lido da mesma maneira. Não sou muito bem-sucedida com cães, não me sei impor, assusto-me com o ladrar deles e também com as brincadeiras mais animadas.

As brincadeiras típicas dos cães, festas de uma forma mais entusiasmada com um misto de provocação que eles adoram, não são próprias para gatos e a reação deles, leva as pessoas a acha-los imprevisíveis, independentes e não domesticáveis.

Lembro-me de uma gata que conheci e que estava numa associação, um amor de gata linda, super meiga e ronronadeira. Durante uma visita de algumas pessoas que queriam adoptar um gato, vi esta mesma gata mudar o seu comportamento como eu nunca tinha visto.

Uma rapariga aproximou-se dela e começou a brincar com ela e a fazer-lhe festas daquela forma que os cães gostam, a princípio ela estava gostar, mas começou a ficar assustada com tanta agitação e provocação até que bufou e fugiu, a pessoa achou que ela não era meiga e que como todos os gatos era “imprevisível”.


No entanto, o problema não era a gata mas sim a forma como a pessoa lidou com ela, é preciso compreender a forma de ser de um gato. A forma como lidamos com um gato é essencial para que ele se torne naquele gato que adoramos, meigo, ronronadeiro e coleiro, um verdadeiro chato :)

O gato é um animal stressado por natureza, muito apreciador de rotinas e sossego. Ele precisa de calma, precisa de confiar em nós, não gosta de mudanças, de movimentos bruscos, gritos, nem que o olhemos nos olhos. O mais meigo dos gatos pode tornar-se agressivo e desconfiado, se não soubermos lidar com ele, e nem estou a falar de maus tratos, as vezes aquilo que achamos brincadeiras inocentes podem transformar o gato numa verdadeira peste.

Alguns gatinhos órfãos que criei, saíram da minha casa muito meigos, muito brincalhões mas nunca atacando as nossas mãos porque para eles as minhas mãos eram uma fonte maravilhosa de festas e eles viam-me como a sua alimentadora, tratadora e massagista, não como um mano, brinquedo ou presa. Depois de uns tempos com uns donos-cão, o mesmo gatinho tornou-se um “cãozinho” malandro que morde e arranha com as suas garrazinhas, claro que ele é feliz assim, mas depois ele cresce e os donos queixam-se, ele acha piada a caçar quando os donos vão a passar no corredor e fincar os seus afiados dentes na perna, se calhar um dia uma arranhadela acerta no olho, os donos começam a repreende-lo agressivamente coisa que ele não compreende, afinal até agora era tão giro brincarmos assim e o gato acaba no meio da rua ou devolvido.

Cada gato é um gato, e há claro aqueles que nunca serão dados ou domesticáveis, nasceram e viveram na rua, sempre lidaram com humanos que os enxotaram e apenas serão felizes em liberdade, junto dos seus e o mais longe de humanos possível, só se aproximando para obter comida quando não há outra forma de alimentação.

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