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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Testes de FIV e FELV

FAZER OU NÃO FAZER?






Os testes de deteção do FIV e do FeLV são um verdadeiro quebra-cabeças, mas não só. Eles podem injustamente condenar os gatos errantes à impossibilidade de adoção, ao isolamento ou mesmo à morte, no caso de associações ou refúgios que testam e eutanasiam os gatos cujos resultados se revelam "positivos".
Têm igualmente condenado inúmeros gatos cujos proprietários estão mal informados, por falta de conhecimentos ou por irresponsabilidade dos veterinários.
 
 

 
Na realidade, tira-se uma "fotografia" do estatuto serológico de um gato no momento X, sem poder afirmar 1. Que o resultado é correto:

  • Falha técnica possível
  • Teste realizado demasiado cedo (em período de incubação)
  • Teste realizado demasiado tarde (após falência do sistema imunitário, no caso do FIV)
  • Interpretação errónea (produção de anticorpos semelhantes aos provocados pela infeção pelo FIV).
2. Que o resultado é perene

  • 40% de FeLV "negativizam-se" (ditos "regressores")
  • 30% de FeLV passam a ser portadores latentes (não contaminantes durante o período de latência – que pode durar toda a vida -, estando o vírus alojado na medula e apenas na medula, mas também negativos aos testes apesar de o vírus poder reactivar-se).
  • Casos de FIV que se negativizam (teste ELISA sobre suporte sólido feito no veterinário?)
Parece pois legítimo colocar a questão da pertinência dos testes, sobretudo no caso de associações ou refúgios que eutanasiam os positivos, na medida em que tal equivale a decidir da vida ou da morte de um animal com base no acaso, na sorte e nos escassos conhecimentos nesta matéria, o que parece não incomodar muitos veterinários ou mesmo grupos que se dedicam à proteção do gato errante.
Por outro lado, é necessário dissociar o FIV do FeLV, na medida em que o seu impacto sobre o prognóstico é muito diferente. O gato FIV+ pode viver uma vida inteira sem declarar a doença, tal como um humano seropositivo não é forçosamente sidático. No caso do FeLV, a situação é mais complexa, dado que o vírus se declara mais cedo.
Acresce que, em meio natural urbano (concentração de numerosos gatos num território reduzido, com fortes interações), não se regista um aumento do vírus, pelo contrário, verifica-se uma prevalência estável.
Seria interessante que uma equipa de investigadores efetuasse o acompanhamento destas comunidades, pelo menos no que diz respeito ao FeLV. As observações feitas em meio natural são falseadas pelo facto de a esperança de vida média de um gato errante, independentemente do seu estatuto serológico, ser inferior ou igual à esperança de vida de um gato FeLV. Sendo assim, não se sabe se a prevalência (não confundir com incidência) do vírus se manteria estável se os gatos negativos tivessem uma esperança de vida "normal".
[Precisão: prevalência= número de gatos infetados no instante X (= foto); incidência= número de novos casos registados num determinado período (=valor dinâmico)].
São inúmeros os casos de gatos testados FIV+ pelo teste ELISA e negativos pela PCR (Reaçäo em Cadeia da Polimerase) feita em laboratório.
A única explicação encontrada é que o método ELISA deteta no gato os anticorpos dirigidos contra outro agente que não o FIV. Só a PCR é fiável, na medida em que deteta o genoma viral.
O teste ELISA não é forçosamente o "teste rápido no veterinário". Há duas formas: a forma sobre suporte sólido (realizada em poucos minutos no veterinário) e a forma sobre suporte líquido (realizada em laboratório). Não é pois pelo facto de o teste ser feito em laboratório que é forçosamente realizada uma PCR.
Sabendo-se que a maioria dos veterinários realizam o teste ELISA no consultório, mais cómodo para eles e mais barato para as associações, ou que enviam para o laboratório sem necessariamente pedir uma PCR, a questão coloca-se de forma ainda mais pertinente.
Não esqueçamos igualmente que os testes realizados em gatos com idade inferior a 6 meses ou mesmo 8 meses dão resultados que não permitem de modo algum etiquetar um animal e muito menos condená-lo.
Efetivamente, no caso do FIV, os conhecimentos científicos atuais não permitem detetar o vírus através de análise sanguínea. O teste é feito sobre os anticorpos e não sobre o próprio retrovirus responsável. Sendo assim, nos gatinhos cuja mãe é FIV+, o teste dará resultado positivo até que os filhos "expulsem" os anticorpos transmitidos pela mãe e criem as suas próprios defesas. O FIV não se transmite de mãe para filho, o que coloca a questão ainda mais pertinente do estigma sobre ninhadas ditas "FIV+", com consequente eutanásia ou isolamento, com base em NADA, cientificamente falando.
No caso do FeLV, os testes feitos por PCR são fiáveis, mas resta a questão dos 40% comprovados de posterior negativização.
Como decidir da vida ou da morte com base em tanta incerteza?
 

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