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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Animais e crianças - um testemunho real

Todos os pais aguardam com muita ansiedade o nascimento dos seus filhos e
querem preservá-los de todos os perigos. Tal como aconteceu comigo quando
soube que estava grávida do meu primeiro filho.
 
 
Desde sempre tenho uma paixão por todos os animais, principalmente cães e
gatos, partilhando a minha vida com 2 cães (o Juca e a Zita, ambos com quase
10 anos) e uma gata (a Xaninha, recolhida há cerca de 2 anos da rua). Toda a
minha família partilha também esta paixão e o Juca, a Zita e a Xaninha são
encarados como parte integrante da família e não apenas como animais.

Quando alegremente comuniquei aos futuros avós que a família iria aumentar,
todos ficaram muito contentes, mas apercebi-me que de repente se instalou
algum nervosismo e depois a questão: e agora os cães e a gata? Com alguma
tranquilidade respondi, “Vão ter mais um amigo para brincar!”.
 
 
Quando realizei as primeiras análises de rotina fiquei a saber que não
estava imune contra a Toxoplasmose, uma doença que pode ser transmitida por
contacto com fezes de gatos e logo a preocupação voltou ao seio da família!
Rapidamente esclareci todas as dúvidas: a Toxoplasmose é uma doença
provocada por um protozoário o Toxoplasma gondii que tem como hospedeiro
definitivo o Gato e hospedeiros intermediários todos os animais de sangue
quente, basta que contactem com fezes de gato contaminadas.
 
 
Toda a minha vida convivi com imensos gatos, inclusive de rua, e durante uma
fase da minha vida profissional exerci clínica de animais de companhia onde
contactei com centenas de gatos. O que é certo é que nunca entrei em
contacto com este protozoário e por isso não estava imune a esta doença.
 

 O que é preciso esclarecer é o modo de contágio desta doença: quando um gato
está infectado liberta os protozoários através das fezes e nesta fase
apresenta diarreia. Caso algum animal (coelho, pássaros, ratos, Homem, ...)
ingira alimentos conspurcados com fezes de gato contaminadas, o protozoário
poderá ficar armazenado nos músculos e órgãos, e caso seja uma fêmea
gestante, no feto. É esta infecção que poderá provocar malformações
congénitas nos bebés. A estes animais chamamos de hospedeiros
intermediários. Caso a mulher entre em contacto com o Toxoplasma e não
esteja gestante, desenvolve imunidade e se durante a gestação for infectada
já tem defesas contra este agente e não haverá nenhum problema para o feto.
Quando o gato se alimenta de ratos, pássaros, etc, caso a presa tenha o
parasita enquistado nos músculos, órgãos, etc, o parasita atinge a forma
adulta e é novamente eliminado pelas fezes.

Uma vez que a minha gata apenas come alimentos especificamente processados
para animais e não come carne crua, não tem qualquer hipótese de ficar
contaminada e de me transmitir esta doença. Quando expliquei esta história,
toda a minha família ficou tranquila e passou a olhar para a Xaninha não
como uma ameaça, mas sim como a amiga de sempre!!




Os cuidados que qualquer mulher grávida deve ter para não correr o risco de
contrair Toxoplasmose durante a gravidez são: lavar muito bem as frutas e
legumes, pois podem estar contaminados com fezes de gato, bem como não comer
carne crua. Para evitar qualquer perigo, não deve mexer na casa de banho do
gato para evitar qualquer contacto acidental com as fezes.

Para que uma animal de companhia não constitua qualquer perigo para os seus
donos basta que esteja correctamente vacinado e seja periodicamente
desparasitado contra os parasitas internos (lombrigas e ténias) e protegido
dos parasitas externos (pulgas, carraças e piolhos). Deverá também ser
observado regularmente por um Médico Veterinário, que lhe dará todos os
conselhos para que a convivência entre pessoas e animais seja sempre um
motivo de prazer e não uma preocupação.

Outro dia muito importante é a chegada do bebé a casa!! É claro que teremos
de o apresentar aos nossos “amigos” e é este passo que pode ser determinante
para a boa convivência entre ambos.

Muitas pessoas passam a condicionar os movimentos dos animais, não
permitindo que cheguem perto do bebé e até mesmo as visitas os passam a
ignorar. Este comportamento está completamente errado e o resultado será a
associação por parte do animal à presença do bebé a esta exclusão. Ou seja,
o animal passará a encarar o bebé como um inimigo e a responsabilizá-lo por
tudo o que de novo lhe está a acontecer.

 Caso o animal esteja em perfeito estado sanitário não há qualquer problema
em permitir um contacto mais próximo. O procedimento correcto é não alterar
a rotina do animal e fazer com que ele associe a presença do bebé a algo
muito bom. Por exemplo, quando chega alguém para visitar o bebé deverá em
primeiro lugar fazer muitas festas ao cão/gato e só depois dirigir-se ao
bebé; devemos sempre associar a presença do bebé a algo muito bom para o
animal.

Foi exactamente isto que eu fiz e por isso a relação entre o meu filho com o
Juca, a Zita e a Xaninha passou a ser de cumplicidade e não de conflito. É
realmente agradável observar a sua alegria quando os vê e a rapidez com que
gatinha para lhes fazer festas. A Zita é a preferida, pois brinca imenso com
ele trazendo-lhe brinquedos e não se incomoda com as suas diabruras.

Gostava também de partilhar convosco o facto de o meu filho ainda não ter
adoecido, pelo que nunca lhe foi administrado qualquer medicamento. Eu nunca
telefonei para o Médico Pediatra ou fui a uma consulta de urgência. É uma
criança com um desenvolvimento perfeitamente normal, muito sociável e que
claro, adora todos os cães e gatos que vê, não tendo qualquer medo.

O que é certo é que cada vez mais se estuda o efeito da convivência entre
animais e crianças no seu desenvolvimento, e os resultados são muito
positivos. De realçar os efeitos benéficos do relacionamento de crianças com
Autismo com animais, bem como no caso de crianças com dificuldades de
relacionamento. Um cão / gato é também aconselhado para aumentar o sentido
de responsabilidade das crianças, pois ao terem de tratar deles assumem
tarefas diárias como suas, para além de arranjarem um amigo para a vida!

Autora desconhecida

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